
As políticas públicas constitutivas são aquelas que criam as regras do jogo. Ou seja, definem como o Estado se organiza, como outros programas governamentais funcionam e quais são os procedimentos formais do setor público.
Neste artigo, você vai entender o que são as políticas públicas constitutivas, para que elas servem e conhecer alguns exemplos. Também vamos falar dos tipos de políticas públicas e do ciclo que estrutura sua criação. Continue a leitura e saiba mais.
O que são políticas públicas constitutivas?
As políticas públicas constitutivas funcionam como uma espécie de pilar, já que tratam das definições necessárias para a criação de outras políticas públicas. Elas fornecem a estrutura legal e organizacional que garante uma base sólida e bem definida para todas as ações governamentais.
A partir da política pública constitutiva, o poder público estabelece as regras de como, quando e por quem as políticas podem ser criadas, colocadas em prática e avaliadas.
Para que servem as políticas públicas constitutivas?
As políticas públicas constitutivas definem princípios, mecanismos, instrumentos e processos que norteiam a criação de uma política pública. Além disso, elas promovem a participação da sociedade civil nos processos de tomada de decisão e garantem eficiência e legitimidade a esse processo. Por isso, também estabelecem critérios claros e objetivos para a formulação e a implementação de políticas.
Quais são os tipos de políticas públicas?
Existem algumas classificações que ajudam a entender o objetivo e os efeitos de uma política pública. A seguir, conheça as principais.
Distributivas. Direcionam recursos ou serviços a grupos específicos.
Redistributivas. Organizam recursos, renda ou oportunidades entre diferentes grupos sociais.
Regulatórias. Estabelecem regras para orientar comportamentos e atividades.
Constitutivas. Como já mostramos ao longo deste artigo, definem a organização e as competências do próprio Estado.
Como funciona o ciclo das políticas públicas?
Para que uma política pública seja bem estruturada, ela segue um ciclo com etapas bem definidas. Esse processo, aliás, vale para qualquer tipo de política, incluindo as constitutivas. Para entender esse fluxo com mais profundidade, vale a leitura do nosso conteúdo sobre o ciclo de políticas públicas. A seguir, conheça cada etapa.
Identificação do problema. O primeiro passo é reconhecer e identificar uma necessidade. Estatísticas, reclamações da população, relatórios técnicos ou pressão política costumam constatar essa necessidade, e é a partir dela que o poder público decide e estrutura a política pública.
Formulação. A partir da necessidade identificada, especialistas e gestores desenham alternativas por meio de estudos técnicos, simulações, custos e indicadores.
Tomada de decisão. Em seguida, o poder público analisa as alternativas e toma uma decisão. Prefeito, secretários, conselhos ou o Legislativo formalizam essa escolha.
Implementação. Com a decisão tomada, chega o momento de executar a política. Nessa etapa, acontecem contratações, publicação de editais, implantação de sistemas, realização de obras e repasse de recursos.
Avaliação. Depois da aplicação, indicadores técnicos, sociais ou financeiros medem os resultados. A partir daí, o poder público avalia se a ação é ou não eficaz e, nessa fase, também busca opções de melhoria.
Conheça alguns exemplos de políticas públicas constitutivas
Para entender melhor a aplicação deste conceito, separamos alguns exemplos. Confira, a seguir.
Lei Orgânica do Município. Estrutura a administração municipal, incluindo a criação de secretarias, órgãos autônomos e empresas públicas.
Plano Diretor Municipal. É a lei que define zonas para o crescimento do município, com diretrizes e políticas para infraestrutura e preservação do meio ambiente.
Lei de Uso e Ocupação dos Solos. Regulamenta a utilização e a ocupação dos solos no município, complementando o Plano Diretor Municipal.
Estatuto da Cidade. Regulamenta o direito à moradia, à infraestrutura urbana e ao desenvolvimento urbano sustentável.
As políticas constitutivas só geram impacto, portanto, quando existe uma estrutura de governança que oriente sua formulação. O próprio Decreto nº 9.203/2017 estabelece as diretrizes da política de governança da administração pública federal, servindo de referência nacional para esse tipo de estruturação. Para entender melhor esse conceito, vale a leitura do nosso conteúdo sobre os princípios da governança pública. Nele, mostramos como transparência, accountability, eficiência e integridade formam o alicerce para que as decisões regulatórias sejam tomadas com responsabilidade e legitimidade.